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sábado, 22 de março de 2014

Todas As Garotas São Princesas

Resenha: A Princesinha, de Frances Hodgson Burnett

"Se sou uma princesa em trapos e andrajos, posso ser uma princesa por dentro. Seria fácil ser princesa se eu estivesse vestida com tecido de fios de ouro, mas há um triunfo muito maior ser princesa o tempo todo, sem ninguém saber."

Depois que li O Jardim Secreto há algum tempo, Frances tornou-se para mim uma daquelas escritoras que produzem obras nas quais eu mesma gostaria de chegar. Fiquei encantada quando, na estante de livros infanto-juvenis da universidade, encontrei A Princesinha.

A Princesinha citada no título chama-se Sara Crew, e não é, literalmente, uma princesa - ou é, se levarmos em conta o que ela diz o tempo todo, mas isso tornaria as coisas confusas. Apesar de ser órfã de mãe, a menina leva uma vida muito feliz com o pai, na Índia. Dono de grandes riquezas, o homem resolve envia-la então a Londres para fins acadêmicos. Quando algo inesperado acontece e as despesas do luxuoso internado não podem continuar sendo pagas, Sara precisa trabalhar como empregada e passar suas noites em um sótão frio junto com sua amiga (e ajudante de copeiras) Becky.

Considerei Sara uma personagem absolutamente fascinante! Acredito que isso aconteceu porque encontrei tracinhos de maldade em seus pensamentos mais profundos. Quando a inteligencia era usada contra Miss Michin e S tinha consciência disso era a coisa mais engraçada e perversa do mundo, tudo ao mesmo tempo. Sua evolução, assim como ocorre com os outros personagens de Frances em outras obras, também é notável. Depois de passar por situações complicadas suas ideias e pensamentos mudam (para melhor) de uma maneira fantástica - mas o mais importante é que ela nunca deixa de acreditar!

Há uma adaptação cinematográfica para o livro, produzida por Alfonso Cuarón, de 1995. Pude observar por algumas imagens e vídeos que os figurinos e cenários são muito bonitos, porém não posso aprofundar-me nisso porque ainda não o assisti na íntegra (quando o fizer adicionarei uma nota neste parágrafo).

Como ocorreu com The Secret Garden, apaixonei-me completamente pela história e personagens! O Jardim continua sendo meu favorito, mas recomendo A Princesinha com a mesma intensidade. O livro passa lições bastante importantes e que podem ser usadas por adultos, crianças e quem mais se sentir à vontade com isso nos momentos difíceis.

domingo, 9 de março de 2014

Duas Vezes da Mesma Maneira

Resenha: As Crônicas de Nárnia - Livro 4 (Príncipe Caspian), de C. S. Lewis

Clique aqui para ler sobre os livros anteriores.
"Há honra suficientemente grande para que o mendigo mais miserável possa andar de cabeça erguida, e também vergonha suficientemente grande para fazer vergar os ombros do maior imperador da Terra."

Nárnia tem sido meu refúgio nesses períodos de crescer. É estranho se dar conta de que você está crescendo muito rápido, e não há mais volta no mundo real. Nestes casos precisamos sempre correr de volta, antes que o caminho desapareça. Tenho muita sorte por ter construído um mundo com palavras e livros, para onde sempre poderei voltar e me encontrar em meio às páginas, como uma folha prensada, estranha e familiar ao mesmo tempo*.


No quarto livro, intitulado Príncipe Caspian, as coisas não estão nada bem no mundo de Aslam. Os animais falantes sumiram, assim como os centauros e as dríades. Telmarinos governam Nárnia, e fazem tudo para que os tempos felizes do passado sejam desacreditados pelas crianças e adultos. Caspian, herdeiro legítimo do trono, resolve então trazer de volta a era de ouro: aciona a trompa mágica que convoca Pedro, Suzana, Lúcia e Edmundo.

A principal diferença que notei por aqui foi a evolução de certos personagens, principalmente quando falamos de Suzana e Edmundo. Parece que os dois deixaram um pouco de lado as histórias de criança. Edmundo tornou-se nobre, e Suzana uma dama. Pedro permanece igual, mas vale lembrar que sempre pareceu maior que os irmãos caçulas. Com Lúcia ocorre o mesmo: ela ainda é uma menina doce e esperta, mas não minha favorita, pelo menos por enquanto.
Meu foco no livro, porém, deu-se por outra coisa: Aslam havia desaparecido para as outras crianças. Apenas Lucia, que continuava crendo, conseguia vê-lo. Me peguei pensando se coisas assim também acontecem conosco. Será que quando deixamos de acreditar em algo isso desaparece diante de nossos olhos, mesmo quando continua lá? E se isso ocorre, como somos capazes de vê-lo novamente? Isso me rendeu bons pensamentos.
Algo muito triste ocorre por aqui, também. Os primeiros irmãos vão embora de Nárnia, para nunca mais voltarem! Já aprenderam o suficiente, é o que diz o narrador. Despedidas sempre são tristes...

Este foi meu terceiro livro favorito, logo depois dos dois primeiros. É, também, meu filme favorito em toda a série. Não é tão fiel quanto o primeiro, mas no fim, quando The Call começa a tocar, é a cena mais emocionante do mundo. Maravilhoso! Recomendo que todos que iniciaram o livro leiam a sequência, pelo menos até aqui.

*Sangue de Tinta

domingo, 2 de fevereiro de 2014

O Debate do Século

Resenha: Zumbis vs. Unicórnios, de Holly Black e Justine Larbalestier

"Entre um unicórnio e um zumbi, com qual você preferiria ficar preso em uma mina?"

A discussão sobre quem era melhor começou no blog de Justine, e desde então ela e Holly organizaram um livro que contém doze contos: seis voltados a zumbis, e seis voltados a unicórnios.
O time zumbi, liderado por Justine, tem em sua equipe: Libba Bray, Cassandra Clare, Alaya Down Johnson, Maureen Johnson, Carrie Ryan e Scott Westerfeld.
O time unicórnio, liderado por Holly, tem em sua equipe: Meg Cabot, Kathleen Duey, Margo Lanagan, Garth Nix, Naomi Novik e Diana Peterfreund.

Algo que acontece comigo às vezes é que não vou com a cara de certos autores... Foi o que ocorreu com Justine quando li a introdução. O que pude perceber é que Holly sempre foi educada, analisando os dois pontos de vista, enquanto Justine defendeu o seu e unicamente o seu até o fim (mesmo quando disse coisas extremamente sem noção/estúpidas/desnecessárias). Certo, sei que elas estavam brincando, mas considerei Justine uma mala sem alças!... o que esperar de alguém do time zumbi, não é mesmo?

O que mais gostei no livro é que todos os contos são diferentes. Completamente diferentes! Cada autor criou seu próprio zumbi ou unicórnio, e é maravilhoso como uma base igual pode se transformar tanto em mentes diferentes. Foi fantástico poder ler sobre coisas iguais, porém transformadas e moldadas de acordo com a criatividade de cada autor.

Meus contos favoritos foram: 

Bulganvílias, Carrie Ryan
Mil Flores, Margo Lanagan*
O Cuidado e a Alimentação de Seu Filhote de Unicórnio Assassino, Diana Peterfreund*
Mãos Geladas, Cassandra Clare
A Terceira Virgem, Kathleen Duey*
Não necessariamente nesta ordem.
* = unicórnio

Destes, os que prenderam mais minha atenção e sobre os quais gostaria de me aprofundar são:
Bulganvílias, de Carrie Ryan: A personagem principal é uma menina muito forte e corajosa. O modo como o conto foi organizado (contado cenas passadas e presentes) fez com que ele parecesse muito mais longo do que é de fato, além de nos oferecer uma visão melhor dos personagens e da vida que levavam antes em poucas páginas.
O Cuidado e a Alimentação de Seu Filhote de Unicórnio Assassino, de Diana Peterfreund: Apesar do título extremamente longo (que me passou uma primeira impressão errada do conto - pensei que envolvesse humor) adorei o cenário onde tudo se passou. A escrita de Diana me fez imaginar todos os detalhes daquela tenta de aberrações no circo, o cheiro da palha mofada, o medo de ser descoberta, tudo. E há também, é claro, uma personagem feminina forte e destemida.
A Terceira Virgem, de Kathleen Duey: O unicórnio retratado no conto é muito diferente de todos os outros. Tão melodramático, esperto, voraz, cruel, mas ao mesmo tempo doce. É minha versão de unicórnio favorita.

Preciso avisar-lhes também que, apesar de possuir uma capa colorida e um design bonitinho, há contos muito interessantes e sérios. Obviamente há alguns engraçados, diferentes, que falam palavrões desnecessários aqui e ali, mas eles são a minoria. Isso é diferente do que pensei que seria, por isso decidi contar.

E meu time é..... *tambores*...... Unicórnio!!! Apesar de não ter gostado do retrato dos unicórnios feitos por alguns dos autores (principalmente Meg Cabot - ainda acredito que ela foi sarcástica) outras versões (como a de Kathleen Duey) me fizeram ficar fascinada por eles. Como são lindos e cruéis! Doces e malvados! São as criaturas mais interessantes que já vi.
Defendo meu ponto de vista dizendo que os unicórnios retratados no livro são melhores que os zumbis porque os autores do time de Justine tentaram criar zumbismanos, ou seja, zumbis humanos. É como ler contos que falam apenas de pessoas na maioria das vezes! Nem saberia diferenciar, se me pedissem. Já os unicórnios... Você perdeu, Justine!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Era um Anjo

Resenha: O Menino do Dedo Verde, de Maurice Druon

"De vez em quando surge um cavalheiro que revela um pedaço do desconhecido. Começam por lhe rir na cara. Algumas vezes levam-no para a cadeia, porque ele perturba toda a ordem. Mais tarde, quando descobrem que tinha razão e já está morto, erguem-lhe uma estátua. É o que eles chamam de gênio."

A primeira vez que vi este livro ele estava nas mãos de uma pessoa que admiro muito. Ela é uma das pessoas mais calmas que conheço neste mundo, e dava palestras mais calmas ainda na escola onde cursei meu ensino fundamental. Acho que livros favoritos dizem muito sobre as pessoas, e pelo visto ela estava gostando de ler este, por isso o procurei agora.

'O Menino do Dedo Verde' na verdade se chama Tistu e tem oito anos de idade. É enviado à escola por sua mãe, que até então o ensinava em casa, por conta própria. Mas acontece algo inesperado: o menino dorme assim que ouve a voz do professor. Por esta razão seu pai decide fazê-lo aprender os assuntos que vão lhe servir na a vida. Durante seu primeiro aprendizado com o jardineiro Sr. Bigode, Tistu descobre que tem o polegar verde! As flores crescem quase imediatamente quando ele toca o polegar em qualquer superfície, e ele aprende a usar esta espécie de poder para ajudar quem precisa de felicidade.
O que ocorre com esta estória é que, como em O Pequeno Príncipe, ela nos narra muito encontros de personagens. Cada personagem tem algo muito importante a dizer, e também sua própria maneira de fazê-lo. Sendo assim, não é só Tistu que aprende: nós leitores aprendemos com ele.

Meus personagens favoritos são o Sr. Bigode e também o pônei Ginástico. Sr. Bigode mostrou sua personalidade logo no início, mas Ginástico foi misterioso e demorou um pouco mais, acho que foi por isso que gostei tanto dele (também foi por causa do nome engraçado).
Outro dos pontos que se destacaram para mim foram os pensamentos e frases muito bonitos. Eles dizem coisas simples e nos mostram quanto perdemos tentando pensar em algo muito complicado, quando na verdade a solução estava diante de nossos olhos.

Acho que crianças e adultos terão uma visão diferente do livro se resolverem lê-lo, mas acredito que se torne interessante para ambos. Além do mais, a narrativa é absolutamente fácil, então leiam assim que encontrarem!

sábado, 4 de janeiro de 2014

Sei Que é Maluquice

O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger

"Não devíamos contar nada a ninguém. Quando contamos, começamos a sentir falta de todo mundo."

Um amigo muito querido me contou em um dia difícil que este foi seu livro favorito na adolescência. Já o havia visto outras vezes, inclusive no livro que marcou a minha adolescência. Contei a ele sobre isso, e o amigo emprestou-me seu próprio exemplar, com suas próprias anotações e suas próprias marcas. Achei isso algo fantástico porque imaginei que quando eu estiver mais velha poderei emprestar meus livros. Contar a outras pessoas que eles eram meus favoritos e fazê-las se sentirem melhor. Livros levam muitas histórias além daquelas que neles foram impressas.

Mas, ignorando as outras histórias momentaneamente, a que foi impressa neste aqui conta sobre um jovem chamado Holden, que vem de Nova Iorque. Holden não tem um bom histórico escolar. Foi expulso mais de uma vez, e agora, novamente. Por isso o rapaz decide voltar para casa mais cedo, e passa um final de semana vagando pelas ruas, procurando pessoas que para ele foram importantes, pensando melhor sobre si mesmo e o comportamento dos que o cercam.

Holden é alguém muito interessante. De verdade. Nunca vi um personagem como Holden antes, e já li muitos outros livros por aí. Outro personagem que me cativou foi o Professor Antolini. Às vezes encontramos estes professores que ouvem e entendem melhor do que qualquer pai ou amigo.
Uma das coisas que mais gosto de estudar é o comportamento humano, e, em suma, é sobre isso que o livro fala. O personagem principal simplesmente se cansa de tudo. Acha que o fim chegou e o sentimento de confusão é algo sempre presente. Isso não te parece familiar?

Preciso confessar, porém, que além de Holden não houve nada atrativo. Nada me fez sentir curiosa ou com vontade de ler tudo de uma vez. Então me dei conta de que meu livro favorito também não conta nada assim. Só sobre uma mente agitada. O que acontece ali é que vemos a nós mesmos alguns anos, ou meses, ou semanas antes. Nós fazemos a história tornar-se especial.

Ps:. Como podem ver, não tenho muito a dizer por aqui. O que tenho em mente é difícil explicar, como acontece na maioria das vezes, mas bem lá no fundo O Apanhador no Campo de Centeio me fez sentir melhor. Me fez ver que não sou (ou era) a única confusa neste mundo. Que todos temos aqueles momentos onde caímos sem parar, e parecemos nunca tocar no chão. É... união. Foi disso que mais gostei.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013

2013: Os Melhores do Ano!

Clique no título para ler uma resenha.

Livros:

Jogos Vorazes, de Suzanne Colins
Coraline, de Neil Gaiman
As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky
A Guerra dos Tronos, de George R. R. Martin
O Pequeno Príncipe, de Antoine De Saint-Exupéry
O Jardim Secreto, de Frances Hodgson Burnett
Em Chamas, de Suzanne Colins
O Sr. Pip, de Lloyd Jones
A Menina que Roubava Livros, de Markus Zusak
Peter Pan e Wendy, de J. M. Barrie
A Bússola de Ouro, de Philip Pullman
O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder
Através do Espelho, de Jostein Gaarder
O Mágico de Oz, de L. Frank Baum
A Marca de Uma Lágrima, de Pedro Bandeira

Filmes:

Frankenweenie, de Tim Burton
As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky
A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese
Agora e Para Sempre, de Ol Parker
Oz: Mágico e Poderoso, de Sam Raimi
Em Chamas, de Francis Lawrence
O Contador de Histórias, de Luiz Villaça

Séries:

Skins UK, 1ª e 2ª Temporadas

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Feliz Natal!

Resenha: Um Conto de Natal, de Charles Dickens

"Scrooge era bastante inteligente para compreender que nada de bom se passa em nosso planeta que não comece por provocar a hilaridade de certas pessoas."

Uau! Vocês estão conseguindo acreditar e processar a ideia de que já é natal? Alguém, como eu, está cogitando a ideia de construir uma máquina do tempo e voltar para o passado só para viver tudo de novo? Encontrei este livro em um de meus blogs favoritos, e me surpreendi com o fato de que desconhecia a origem da estória que inspirou tantos filmes e desenhos animados.

Aposto que você ainda não está reconhecendo este título, mas Um Conto de Natal conta sobre um velho rabugento chamado Scrooge, que glorifica o trabalho e fica tão obcecado por dinheiro que não gasta o que tem, e está sempre em busca de receber mais. Na noite da véspera de natal, porém, Scrooge recebe a visita um tanto quanto inusitada do sócio falecido há sete anos, que por sua vez anuncia a chegada de três outros espíritos, respectivamente: o espírito do natal passado, o espírito do natal presente e o espírito do natal futuro. Durante esta trajetória o personagem principal vivencia diferentes momentos da própria vida e até mesmo da vida alheia, surpreendendo a si mesmo e recuperando o real sentido do espírito natalino.

No início, senti um ódio descomunal por Scrooge! Não engulo em momento algum pessoas que são assim com outras, e que, ao invés de aproveitarem o pouco que temos de amor entre todos os semelhantes na terra, se preocupam com o tempo que passamos guerreando, odiando, gritando, ignorando completamente o pouco de paz que ainda nos resta. 
Mas então, ocorreu uma das coisas que eu mais amo e aprecio nos livros: A MUDANÇA COMPLETA DO PERSONAGEM! (Desculpem por usar letras maiúsculas, mas a intenção era realmente gritar, de tanta felicidade!). Scrooge se transforma e nós também, junto com ele.

Sobre as adaptações feitas sobre o conto, são tantas que nem pude lembrar. As únicas mais nítidas para mim são um filme da Barbie e uma curta do pato Donald. A adaptação oficial, por assim dizer, chama-se Os Fantasmas de Scrooge: uma animação incrível que conta com a participação de Jim Carrey. 
Inclusive, o filme vai ser exibido na TV aberta na noite da véspera de natal! 

É meu primeiro natal por aqui, então eu só gostaria de dizer que eu quero que todos vocês tenham um natal mágico, e desejo que cada um ganhe muitos e muitos livros de presente! FELIZ NATAL! ♥

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

E o Que é Bom em Breve Será Belo

Resenha: Extraordinário, de R. J. Palacio

"Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo."

Extraordinário é um dos livros que mais se destacaram nos últimos meses deste ano, e estou muito feliz que finalmente consegui lê-lo, e que o achei tão bonito!

Extraordinário é mais um destes livros que só contam como as coisas acontecem o tempo todo e mostra a evolução dos personagens ao decorrer das páginas - a maioria de minhas coisas favoritas (filmes, livros e séries) seguem este padrão, o que é maravilhoso, porque eu tinha uma grande tendência a gostar desta obra desde o início! 
August (ou Auggie) é nosso personagem principal. Ele possui um tipo raro de má formação nos ossos do crânio e da face, o que o faz parecer um pouco diferente quando próximo às outras crianças. Auggie sempre estudou em casa, mas foi encorajado pelos pais a entrar em uma escola de verdade, com colegas de verdade e professores de verdade. Nesta nova escola, o garoto presencia todo o tipo de evento, sente coisas que ainda não havia sentido e faz amigos que nunca havia conhecido.

Uma das minhas coisas preferidas no livro é, além dos preceitos do professor de Inglês, o fato de que cada personagem possui um espaço para narrar seu ponto de vista. August, Via, Miranda, Jack, Summer... Quase todos eles. 
Destes personagens, o meu favorito foi a Summer (amiga de Auggie). Primeiro porque o nome Summer me trás lembranças de uma mulher forte, destemida e independente, e segundo porque ela parece muito diferente de todas as outras crianças: mais criativa, esperta e todas estas coisas. Via (irmã de August) também possui um ponto de vista interessante, e gostei bastante dela e da posição por ela ocupada.
Não posso esquecer de citar Julian... Julian me lembrou vários colegas do ensino fundamental. Será que todas as crianças precisam passar por essas coisas? Sofrer na mão de riquinhos que não tem nada a mais para fazer, a não ser ostentar seus objetos de valor, porque não tem nenhum tracinho de bondade e inocência? Isso me enoja. 

O livro mostra, principalmente, a evolução de Auggie. Eu achei que isso foi tão lindo, porque ele não se tornou o alguém ruim que poderia ter se tornado. Gostei muito de acompanhá-lo nisso, e foi uma viagem de volta ao ensino fundamental, quando nossos maiores problemas eram os Julians (e, no meu caso, o Lorde Voldemort!)... Apesar do sucesso, porém, não achei Extraordinário extraordinário, se é que me entendem... Foi como com A Culpa é das Estrelas, sabem como é? Quando suas expectativas estão muito altas?... 
Apesar disso, recomendo-o sim! Só recomendo, junto com o livro, que não esperem tanto assim, para não acabarem decepcionados, certo? Contem-me o que acharam quando terminarem! Até mais ver!

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Senhorita Ilusão

Resenha: A Marca de uma Lágrima, de Pedro Bandeira

"Tanto se perde no caminho do coração ao cérebro, do cérebro à boca, da boca à mão e da mão para o papel..."

Não é maravilhoso como todos os meus últimos posts falam de minhas coisas favoritas? E este também fala de uma nova coisa favorita! Um novo livro favorito! 

A Marca de uma Lágrima conta a estória de Isabel, que apaixonou-se pelo primo Cristiano desde a primeira vez em que o viu. O que ocorre, porém, é que Cristiano gosta de sua melhor amiga, Rosana. Com o coração nas mãos, Isabel passa a escrever cartas com poemas para que Rosana entregue ao seu amado, como se as mesmas não fossem de sua autoria, mas testemunhassem o amor entre a rival e o primo. Cada vez mais Isabel afunda na dor daquele amor não correspondido, lutando contra a dor, um crime misterioso e seu pior inimigo: ela mesma.
Isabel é uma personagem extremamente bem construída. Digo isso porque não foram necessárias descrições que dissessem que ela era inteligente, ou que ela gostava de escrever, ou que ela precisava de ajuda com relação aos seus próprios sentimentos. Isso é algo que pude encontrar sozinha, através dos poemas e dos pensamentos, que é, em minha opinião, a coisa mais maravilhosa que pode ocorrer num livro.

Assim como Isabel, também sofro com este Inimigo que nos observa do outro lado do espelho. Ele diz coisas tão ruins, e o pior nisso é que nós duas acreditamos firmemente que tudo é verdade. Felizmente, temos nossos Fernandos, que nos fazer acreditar por um minuto que somos alguém importante. Há, também (e isso não é mais feliz, é triste) nossos Cristianos que, de certa forma, tornam-se inimigos poderosos.
É tão bom e estranho se identificar tanto com algo que foi criado por alguém que você não conhece pessoalmente...

O livro aborda de uma maneira leve e pesada, dolorosa e doce, triste e feliz, o amor. O amar alguém tão fortemente. Trata de insegurança, medo, perda e poemas. E os poemas... Ah, os poemas... 
Espero que vocês o leiam e encontrem nele tanto quanto eu encontrei de mim mesma. Só lembrem-se: Sempre quero conversar!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Te Vejo Nos Meus Sonhos

Resenha: O Mágico de Oz, de L. Frank Baum

"Agora eu sei que tenho um coração, pois ele está doendo."

Nesta semana, quando passeava (novamente) por entre as estantes da biblioteca da escola - coisa que andei fazendo muito nos últimos tempos - encontrei este livro tão bonito! O Mágico de Oz é uma das minhas estórias favoritas porque, quando eu era criança, tinha um áudio-book que a contava. Eu o ouvia muito, e até hoje lembro da maior parte das falas. 

O Mágico de Oz conta a triste/feliz estória de Dorothy, que vive no Kansas e é levada por um furacão com seu cãozinho Totó. Quando sua casinha finalmente cai, a menina se vê em um local realmente estranho. Logo alguns moradores aparecem para ajudá-la, e recomendam que siga uma estradinha de tijolos amarelos que a levará até o poderoso Oz. No caminho, Dorothy faz três amigos que também tem desejos: Um homem de lata que quer um coração, um espantalho que quer um cérebro e um leão que quer coragem.

Meu personagem favorito é o Lenhador. Ele é o mais bondoso e adorável de todos para mim. Na verdade, se observarmos direito, todos são adoráveis, pois pensam que não são bons o suficiente e, desta forma, fazem tudo para serem pessoas melhores. Nunca desistem de si mesmos. São personagens tão bonitinhos.
Agora... Sei que diz "resenha" no título, mas o fato é que eu nunca conseguiria dizer o que mais gosto e o que menos gosto, porque tais coisas não existem. Eu gosto muito de tudo, e não deixo de gostar de nada. Procuro não colocar aqui os livros que tem um valor emocional para mim, mas preciso recomendá-lo! 

O Mágico de Oz é um daqueles livros que são tratados como obras escritas para crianças, mas na verdade, se pararmos para observar, veremos muito mais. Veremos que somos o que acreditamos que somos. Somos espertos ou bobos, corajosos ou medrosos, amorosos ou frios. Mas só nós mesmos podemos controlar tais coisas. Espero que lembrem-se disso sempre que alguém disser que você não tem chances, ou que não é bom o suficiente. Pois todos somos mais. Muito mais!

(Vale à pena dar uma olhada no filme Oz: O Mágico e Poderoso, que conta a estória do suposto-mago Oz! É maravilhoso!)

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Carrie, Carrie, Carrie

Resenha: Carrie, A Estranha, de Stephen King

"Ela não era um monstro. Era só uma garota."

Carrie, A Estranha, teve uma nova adaptação para o cinema em 2013. Fiquei realmente curiosa sobre o filme, que será lançado em Dezembro (e provavelmente não aparecerá por aqui). Meu desejo de saber mais foi tanto que acabei ficando com o livro, mesmo que não estivesse realmente empolgada com ele. Preciso dizer que continuo ansiosa sobre o filme, mas por enquanto vou contar-lhes o que achei daquele que começou tudo.

Acredito que conheçam a estória da destruição da cidade de Chamberlain. Carrie é triste e oprimida pela mãe, uma fanática (não estou exagerando, acreditem) religiosa. Na escola, esta garota sempre se sentiu deslocada, nas margens e nunca no centro, sempre maltratada pelos colegas da mesma idade, que nunca procuraram entender sua aparência ou comportamento. Levava uma vida realmente triste, até estar consciente de que possuía certos dons telecinéticos: mover objetos com a mente; quebrar, jogar, derrubar coisas. 
Senti certa compaixão para com Carrie. Ela é uma personagem realmente interessante, só não teve muitas oportunidades para demonstrá-lo. Poucas pessoas para ouvi-la... Ninguém conhecia Carrie verdadeiramente, nem a própria mãe, e é quase assustador ver a metamorfose pela qual ela passa depois da descoberta sobre os poderes. 

O que mais gostei na obra foi, justamente, a metamorfose. Gostei de como Carrie evoluiu e de como tomou as rédeas da situação fortemente, apesar de ter tudo para não dar certo, como ela mesma sabia.
O que menos gostei foi da narração. Nunca gostei realmente da escrita de Stephen, e preciso dizer que não entendo muito bem os motivos pelos quais ele é tão vangloriado. Apesar de curto, demorei séculos para terminá-lo, e quase soltei-o próximo ao fim, mas me contive. É algo realmente pesado para se ler durante o dia.

Já foram lançadas duas adaptações (sem contar com a mais recente, que ainda será lançada), uma delas em 1976 e outra em 2002. Até então, só assisti à última versão. Fiquei mesmo satisfeita com tudo. Nada foge muito do livro, e as coisas são mesmo mais calmas se analisarmos - pois os pensamentos de Carrie não aparecem no filme, nem o comportamento tão exagerado de sua mãe (não tanto quanto no livro, claro). 
A versão de 2013 teve como atriz principal Chloe Moretz. Em partes, é por isso mesmo que quero assisti-lo. Os pôsteres estão muito bizarros e fantásticos ao mesmo tempo, e espero que seja bom o bastante para ter uma postagem só para ele.

Creio que a leitura tenha parecido tão pesada para mim por causa do meu gosto literário mais voltado à aventura, à ficção. Recomendo que, se você for como eu, comece por algo um pouquinho diferente. As Virgens Suicidas, talvez... Não partam para Carrie sem mais nem menos. 
(E se vocês quiserem ler para saberem de verdade o que aconteceu com a garota, não o façam. Stephen não conta!)

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O Romance da História da Filosofia

Resenha: O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder

"Mas quando mais pensava sobre o assunto mais claro lhe parecia de que, no fundo, saber que não se sabe também é uma forma de conhecimento."

Mais do que um livro, agora tenho um autor favorito! Nunca me cansarei de dizer que encontrar livros assim é a coisa mais maravilhosa do mundo. Quando você acaba de ler algo e descobre que, de repente, tornou-se diferente do que era antes de começá-lo. Sempre gostei de Filosofia, e agora me apaixonei por ela de vez.

O Mundo de Sofia conta sobre Sofia (nem imaginava!), que, alguns dias antes do aniversário de quinze anos, passa a receber bilhetes e cartas um tanto quanto estranhas, todos anônimos. Os bilhetes fazem perguntas bastante reflexivas como "quem é você?" e "de onde viemos?", até que, por fim, é convidada a fazer um curso de Filosofia. De carta em carta, somos também direcionados a diferentes períodos da história da Filosofia, aprendendo junto com a personagem.
Adorei Sofia. É raro quando não me irrito com os personagens principais de alguma forma, então preciso ressaltar o fato de que não tive problema algum com ela. Alberto também é muito bom (os dois Albertos).

Acho que, em toda a minha vida, nunca li um livro que me ensinou tanto. História, Filosofia... Nem na escola aprendi tantas coisas! Também é interessante ver a interpretação da personagem, que algumas vezes foi diferente da minha e ajudou-me a pensar de uma forma contrária.
Nenhum momento foi ruim ou tedioso, mas confesso ter me arrastado um pouquinho na parte que tratava do Helenismo. Também fiquei um pouquinho confusa no quase-fim, durante a confusão do jardim, como se o autor tivesse esquecido um pouquinho do que era no início, mas isso acontece em algumas estórias, então não me importei realmente.

Recomendo esta obra com muito amor! Foi um dos melhores livros que já li, e considerem que já li muitos, muito livros. Até pensei em uma possível faculdade de Filosofia. Sei que vão gostar tanto quanto eu, e estarei sempre aqui para conversarem sobre quando terminarem.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Todas As Estrelas Acabam Caíndo

Resenha: Através do Espelho, de Jostein Gaarder

"Enxergamos tudo em um espelho, obscuramente. Às vezes conseguimos espiar através do espelho e ter uma visão de como são as coisas do outro lado. Se conseguíssemos polir este espelho, enxergaríamos muito mais coisas, porém, não veríamos mais a nós mesmos."

É muito esquisito quando um livro curto consegue nos prender tanto, ou nos ensinar tanto. Foi mais estranho ainda, para mim, encontrar um livro onde a doença não fosse tratada de uma forma dramática. Não chorei porque tudo foi muito triste, mas porque tudo foi muito bonito. Porque, finalmente, encontrei um livro que descrevesse direitinho como são as coisas de verdade, sem fantasias gigantescas para parecer mais afável, e mesmo assim tornou-se uma das estórias mais bonitas que já li.

Através do Espelho conta uma estória um pouquinho complicada, porque a personagem sobre qual giramos em torno não está completamente consciente sobre o que está acontecendo. Depois de algumas páginas, podemos ver que ela está muito doente, e não quis continuar o tratamento, pois de nada adiantava. Entendi que Cecília, a menina, está com um tipo de tumor que voltou com mais força depois de um tratamento já realizado. Isso pode acontecer com certos pacientes. Cecília está próxima de se tornar um anjo, mas ainda não entende direito sobre como é ser um deles, e até se sente um pouco amargurada com relação a Deus. Então, passa a receber visitas de um anjo de verdade, chamado Ariel, que diz ter saído do outro lado do espelho e os dois compartilham informações sobre a vida na terra e a vida nos céus. 

Eu adoro o anjinho Ariel, porque é muito bom da parte dele visitar Cecília para prepará-la para a viagem até as mãos de Deus. Adoro as histórias que ele conta, e adoro o fato de ele ser tão bonzinho. Cecília também é uma menina muito esperta, que contou ao anjo com as próprias palavras sobre como é ver, cheirar, sentir e escutar. Contou com suas próprias palavras o que é ser um ser humano, e eu gostei muito de como fomos descritos.

Estou muito feliz, porque acho que acabo de encontrar meu novo escritor favorito, e algo novo para me ocupar! Logo depois que terminei Através do Espelho, corri para O Mundo de Sofia, que é um livro muito inteligente, e que está me ensinando muitas coisas também. Estou gostando muito mais de Filosofia agora, e dado que eu já gostava muito antes, é uma grande coisa. Pelo que pude ver, este é um assunto bastante debatidos nos livros de Gaarder.

Este é um dos meus novos livros favoritos, então é evidente que recomendo! Para todas as idades, contanto que você não seja muito sensível sobre assuntos como religião. Foi tudo bem para mim ter uma visão diferente de Deus e do céu, mas sei que é diferente para algumas pessoas, então este é o único problema que consegui enxergar. Gostaria muito de conversar com pessoas que leram, então estou nos comentários!
(Vou resenhar O Mundo de Sofia assim que terminar de lê-lo).

domingo, 13 de outubro de 2013

Escolhas

Resenha: Divergente - Livro 1 (Divergente), de Veronica Roth

"Os humanos não toleram o vazio por muito tempo."

Cá estamos nós com Divergente (eu prometi que leria, não prometi?). Meu interesse sobre esse livro aumentou depois que li a trilogia Jogos Vorazes, já que alguns leitores me afirmaram que seria tão boa - ou quase tão boa - quanto. Assim como Hunger Games, Divergente é uma distopia. 

Em Divergente (o primeiro livro da série com o mesmo nome), somos apresentados aos personagens principais e suas facções. É uma visão pós-apocalíptica do planeta que, por sua vez, foi dividido em partes que culpam determinadas razões sobre o fim do mundo, entre elas estão: a abnegação, a amizade, a audácia, a erudição e a franqueza. Aos dezesseis anos, todos os jovens são enviados para uma espécie de seleção, onde os mesmos decidem que rumo tomar - escolher a facção na qual você será feliz, deixando sua família, ou encontrar sua felicidade em um local que te deixará próximo aos entes queridos, mas nunca totalmente satisfeito. Beatrice (ou Tris) pertence à abnegação, mas fica com uma dúvida cruel sobre que escolha tomar depois do teste de aptidão, que apontou-a como Divergente.

A personagem da qual mais gostei foi a mãe de Tris. Achei-a muito bondosa e corajosa, levando segredos consigo sobre coisas que ninguém poderia imaginar até o fim. Ela me surpreendeu muito ao longo da estória. Agora, apesar de não ser minha favorita, a personagem principal, Tris, também mostrou-se uma pessoa suportável, diferente da maioria dos principais que conheço. Beatrice não é muito bonita, e reconhece o fato - isso já a torna bastante esperta.

O que mais gostei no livro foi, quase como sempre nestes casos, da visão futurista. Gosto muito de ver as visões diferentes sobre como acabaremos, como as coisas continuarão quando o mundo chegar ao fim, e esta foi bem interessante: dividindo pessoas de acordo com sua personalidade e escolhendo atividades para cada um dos grupos.
O que me deixou um pouco decepcionada foi que eu estava com as expectativas bastante altas sobre o livro. Imaginei que, se compararam-no a Jogos Vorazes, seria algo muito, muito bom, mas acabou sendo só bom para mim. 

Será lançado um filme baseado na obra em Março de 2014, e estou ansiosa para ele também, é realmente uma pena que nenhum dos personagens se parece de verdade com o que imaginei (pelo menos os que apareceram no teaser), mas tudo bem... Vamos esperar por mais notícias.

Se você leu HG e gostou do livro, é uma leitura que recomendo. Mas alerto para que as expectativas não fiquem tão altas. O que o planeta se tornou não é algo tão complexo e perverso quanto, porém, a leitura ainda vale à pena. 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Primos Gêmeos

Resenha: A Solidão dos Números Primos, de Paolo Giordano

"Porque o amor de alguém que não se ama deposita-se na superfície e logo evapora."

Nunca havia lido algo de um escritor italiano. Não que eu julgue escritores por sua nacionalidade, mas fiquei curiosa sobre o livro, inicialmente, por causa disto. Quando notei que os personagens se assemelhavam com dois alguéns da vida real e li as primeiras linhas sobre seu quase desastrado - mas muito bonito - relacionamento, pensei sobre um possível aliado para As Vantagens de ser Invisível. Agora que terminei-o não digo que tornou-se meu segundo favorito, mas quase o faço.

O Silêncio dos Números Primos se passa entre os anos de 1993 e 2003, e gira em torno de dois personagens principais: Mattia, que abandonou a irmã gêmea altista em um parque quando eram crianças e perdeu-a para sempre, tornando-se um garoto com problemas como automutilação, por exemplo, e Alice, que sofre com a baixa auto-estima e algo que identifiquei como bulimia (não fica tão claro).
A evolução dos personagens com o decorrer dos anos é bastante marcante, e faz com que pessoas de diferentes idades se identifiquem com os mesmos; eu, por exemplo, identifiquei-me melhor com a estória nos primeiros anos, quando Alice e Mattia são adolescentes e buscam seu lugar no mundo - mas isso não me impediu de aproveitar o restante.

Sinto muita compaixão para com Mattia e seus pais. Não tanto com Alice, mas com Mattia sim. O fato é que todos os personagens são maravilhosamente formados. Todos. Até mesmo aqueles menos importantes, que aparecem como vislumbres pelas páginas do livro. Isso conduz o leitor a um universo só seu, onde todos os acontecimentos narrados tornam-se reais e provocam uma emoção tão profunda como se estivéssemos lá.
Quanto à escrita, achei tudo muito agradável, tudo muito rápido na hora de seguir em frente. São poucos os livros onde não me sinto desconfortável quando o assunto tocado envolve sexualidade, principalmente de um modo tão explícito, mas aqui tudo foi tratado por Paolo com muita delicadeza, não de uma forma suja ou espantosa (isso se concentra apenas no início do livro, quando ambos os personagens principais são adolescentes e, por sua vez, estão descobrindo coisas sobre si mesmos). 

Pelo que pude observar, há uma adaptação para o livro no cinema. Não estava interessada, mas quando ouvi Bette Davis Eyes no trailer senti como se precisasse assisti-lo. Prometo acrescentar uma nota por aqui quando acontecer. (Li alguns comentários sobre, e eles em sua maioria dizem que é algo realmente bonito, mas, como sempre, não chega aos pés do livro.)

Recomento a obra - e muito - se você tiver mais de quatorze anos de idade e estiver disposto a um assunto pesado de uma forma diferente, delicada e sensível. 

SPOILER
Preciso confessar que fiquei um tanto quando decepcionada, para não dizer revoltada, com o final que tudo teve. Houve aquela luz no fim do túnel, mas ela era o farol do trem, que atropelou e esmagou tudo de vez. Por que levantar as minhas esperanças desta forma para pisotear tudo, Paolo Giordano??? Estou perplexa e preciso debater isso com alguém.

sábado, 5 de outubro de 2013

Eu o Espero

Resenha: Percy Jackson e os Olimpianos - Livro 3 (A Maldição do Titã), de Rick Riordan

Não recomendo que você leia esta resenha antes de findar a leitura dos livros anteriores.
"Eu sei que você fará o melhor por ela. Ela faria o mesmo por você."

Parece que, finalmente, as coisas estão ficando um pouquinho mais sombrias! Gosto quando as coisas ficam um pouco mais sombrias porque isso torna tudo muito divertido, e depois de ler dois livros de Nicholas Sparks seguidamente, isso foi um alívio para meu coração adorador de aventuras.

A Maldição do Titã é o terceiro livro de Percy Jackson e os Olimpianos. Depois que Thalia despertou e o Oráculo realizou uma misteriosa previsão sobre uma estranha criatura que pode levar o Olimpo a seu final enquanto a única deusa que poderia encontrá-lo desapareceu misteriosamente, duas Caçadoras, uma semi-deusa e um sátiro saem para mais uma missão. Ninguém contava com o sumiço de Annabeth, e Percy tem pesadelos curiosos sobre a mesma. Não tentando controlar seu coração, parte atrás dos colegas, expondo-se mais uma vez.

Os personagens dos quais mais gostei nesta parte da série foram as Caçadoras de Ártemis! Preciso confessar que estou extremamente ansiosa sobre como elas ficarão na adaptação para o cinema, mas sei como elas se parecem em minha mente. Adoro o fato de que todas sejam meninas aparentemente frágeis e pequenas demais para lutar, mas o fazem mesmo assim. Também adorei Ártemis - se tornou uma de minhas deusas favoritas dentro da saga - e gostei muitíssimo das aparições de Atena. Pude ver como me identifico com ela, e acho que não estou mais em dúvida sobre em qual dos chalés me hospedaria.

O que mais gostei no livro foi, exatamente, o fato de que tudo está ficando mais complicado. Sei que Percy ainda é novo demais, então estou extremamente curiosa sobre os próximos livros (mas preciso me controlar, pois também quero ler Divergente), acho que eles guardam surpresas maravilhosas!
O que menos gostei foi do modo como ele foi escrito. Sei que isso se deve a vários fatores: ler algo de Philip Pullman (que por sua vez é a junção de meus dois escritores favoritos), não ter visto a tradução totalmente original, optando pela mais fiel, ter visto livros um pouquinho mais adultos... Preciso dizer que isso não aconteceu com nenhum dos outros livros, mas que, de início, me pareceu muito com uma fanfic. Não sei o motivo, mas isso não foi algo que atrapalhou meu desempenho.

Gostaria muito de falar com alguém que leu a tradução original, então se quiserem deixar algo no box de comentários será perfeito. Apesar de meu favorito continuar sendo O Ladrão de Raios, foi novamente uma leitura muito rápida e dinâmica. Adoro o joguinhos que Rick faz entre a antiguidade e a modernidade, e sei que isso pode entreter jovens e adultos. Recomendo a série até aqui, e pretendo continuar lendo.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

A Pessoa Certa

Resenha: Um Homem de Sorte, de Nicholas Sparks

"Às vezes as coisas mais ordinárias podem se tornar extraordinárias, simplesmente se realizadas pela pessoa certa."

Nota sobre esta resenha.
Apesar das palavras já ditas e das opiniões já formadas, preciso dizer que estou um tantinho surpresa quanto a esta estória. Não por tê-la achado algo extraordinário, eu confesso, mas por tê-la achado vagamente diferente das demais. Estava abrindo o livro esperando alguma coisa, e acabei encontrando outra, bastante diferente.

Um Homem de Sorte conta sobre Logan Thibault, um ex-soldado que, após o término de tempo de serviço, vai em busca da mulher que acredita ter salvo sua vida. Isso porque em um dia de guerra, encontrou uma fotografia enterrada na areia, riscada no verso com uma dedicatória sem nome ou endereço, que apenas continha a letra "E". Depois de tal episódio, coisas estranhas passaram a acontecer - nada o atingia, ele era um homem de sorte. Caminhou por muito, muito tempo, e finalmente encontrou, em um canil, Beth. Elizabeth. Uma mulher muito bonita, mãe de um garoto de dez anos chamado Ben. Apaixonado desde o primeiro momento, Logan tenta aproximar-se cada vez mais, começando pelo emprego de treinador de cães e lidando com obstáculos como o ex marido de Beth, Clayton.

Entre os personagens que mais gostei estão Nana, Thibault e Zeus. Nana é muito engraçada, e eu passei algum tempo (preciso admitir) tentando decifrar suas estranhas frases. Acho que ela forneceu a Beth uma excelente criação, e é muito compreensiva para com a neta. Thibault é calmo e vagamente estranho. Me lembrou alguém que conheço e admiro superficialmente. Gostei do modo descomplicado com que ele lida com tudo. Quanto a Zeus, não sei se ele vale, mas porque é um cachorrinho esperto. E por algo mais, que envolve heroísmo, mas se dissesse eu estaria dando um spoiler.
Fiquei um pouquinho decepcionada com Elizabeth, pois desde o início ela tinha tudo para ser uma personagem realmente forte, diferente de todas as outras criadas por Sparks, mas isso foi desandando pelo caminho. Não achei sua personalidade tão marcante quanto poderia, mas preferi ignorar o fato durante a leitura.

O que mais gostei no livro foi, como sempre com este autor, a narração. Acho a escrita de Nicholas maravilhosa e muito fácil de ser lida. A leitura vai tão rápido, e você não consegue - e não quer - parar de ler. Isso é sempre bom em um livro.
O que menos gostei foi da falta de ação. Enquanto penso que algumas coisas aconteceram muito rápido, acredito que outras demoraram demais, ficaram sendo torcidas e retorcidas durante o desenvolvimento da estória e isso deixou as coisas um pouco entediantes por um momento. Felizmente foi o único, e acredito que isso se deve ao fato de que li uma aventura antes deste romance.

Uma adaptação para o livro foi lançada em 2012, mas como só vi o trailer posso dizer muito pouco. Gostei muito da atriz que interpreta Beth. Ela é bonita como diz o livro, e parece bastante decidida e forte. O mesmo ocorreu com Ben - não imaginei-o de forma diferente. Achei que foi um pecado sem tamanho escolher Efron para interpretar Logan, apesar de considerá-lo um excelente ator. Isso se deve mais à aparência do que a qualquer outra coisa. O rosto bonito e redondo e os cabelos curtos não conseguiram me passar a segurança do Thibault que imaginei.

Apesar de ficar longe de minha estante de favoritos, foi uma leitura tranquila e bastante rápida. Acho que é uma boa pedida para alguém que acabou de ler um livro muito chocante ou pesado e ainda não está preparado para partir para outra. 
Ps: Pensei que este fosse tomar o lugar de A Última Música de início, mas isso não aconteceu.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Ela Nada Sabia

Resenha:  Trilogia Fronteiras do Universo - Livro 1 (A Bússola de Ouro), de Philip Pullman

"- Eu queria... - começou a dizer, mas parou; querer não levava a nada."

Uma de minhas coisas favoritas na leitura é encontrar livros como este. Livros que fazem com que você fique acordado à noite, com que você pense, com que você sonhe. Minha experiência com ele foi fantástica, e fico muito alegre quando digo que há outra obra entre minhas favoritas. Quem sabe mais duas, quando eu acabar de ler a trilogia completa?

Em A Bússola de Ouro, Philip Pullman narra a jornada de Lyra e seu deamon* Pan em mundo muito parecido - e ao mesmo tempo muito diferente - do nosso. Quando vê o próprio tio passando por uma traição de dentro do armário e crianças começam a desaparecer (inclusive um de seus amigos), levadas por Papões, Lyra recebe um objeto que se parece com uma bússola, aparentemente indecifrável, e parte para o Norte. Descobrindo que as coisas estão ficando cada vez mais sombrias e curiosidades sobre a própria vida - por mais incrível e curioso que isso possa parecer - Lyra começa sua jornada em busca de Roger e das outras crianças desaparecidas com a ajuda dos Gípcios e um Urso de armadura chamado Iorek.
*Deamons são uma espécie de alma animal que está com os seres humanos desde o momento em que eles nascem e refletem sua personalidade. Eles e seus donos são inseparáveis, sendo que uma separação poderia provocar a morte ou sofrimento eterno de ambos.

É muito difícil explicar o enredo, já que diversas coisas acontecem ao mesmo tempo, então quero que saibam a sinopse que escrevi não cobre todos os pontos da estória, e que por mais que este seja um livro direcionado às crianças eu duvido muito que alguém de nove ou dez anos de idade entenderia todos os conflitos de sentimentos e referências aos átomos, elétrons ou religião.
Sim, este livro fala sobre religião e inclusive foi proibido em alguns países. Achei tudo isso uma tremenda falta de bom senso, já que fica claro que tudo é algo fantasioso utilizado pelo autor como um elemento de referência ao mundo atual - a religião e a ciência se confundem. Talvez alguém tenha ficado muito confuso ou assustado, ou tivesse a mente pequena demais. Talvez eu não seja má o suficiente para notar algum tipo de satanismo ou demônio, mas talvez isso seja fantasia, e nada mais.

Fiquei surpresa ao ler algumas resenhas que trataram Lyra como um personagem irritante ou mimado. Eu achei que Lyra é uma garota muito corajosa e esperta, e ela é uma de minhas personagens favoritas, logo depois de Iorek Byrnison. Sempre que Iorek aparecia eu me sentia mais segura, assim como Lyra. Parecia que nada seria capaz de vencê-lo, e eu achei genial quando foi dito que os ursos não podem ser enganados, mas que Iorek estava agindo como um homem, e que os homens passam por tais situações.
Outra de minhas características favoritas foi a narrativa. Isso foi algo como Lewis Carroll e C. S. Lewis juntos - meus dois escritores favoritos do mundo. 

Sendo este um de meus novos livros favoritos, eu obviamente recomendo! Talvez você não goste de fantasia, mas eu duvido muito que você não se enconte com A Bússola de Ouro. Também há um filme baseado, que eu assisti há muito tempo. Só o que posso dizer sobre ele é que lembro dos figurinos. Os figurinos são lindos, mas não lembro da Lyra adaptada como uma personagem marcante como a do livro, então vocês precisam me contar isso.
Espero mesmo que gostem! É lindo ter mais livros em minha estante de favoritos

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Não Era Tudo

Resenha: Noites de Tormenta, de Nicholas Sparks

"Quanto maior o amor, maior a tragédia quando acaba. Esses dois elementos sempre andam juntos."


Nota sobre esta resenha.
Por mais curto que seja (e parece que quando você o lê ele se torna ainda menor), este livro me ensinou algumas coisas que considerei importantes. Não só sobre amor.

Noites de Tormenta conta sobre uma mulher de 45 anos, chamada Adrienne, que foi abandonada pelo marido recentemente. Adrienne fica arrasada, e busca apoio em uma pequena cidade na Carolina do Norte, cuidando da pousada de uma amiga que está fora. Uma grande tempestade está chegando, e ela acha que tudo será arruinado até a chegada de Paul, um viajante médico que procura se reconciliar com o filho e conversar com o marido de uma de suas antigas pacientes, que faleceu após uma cirurgia.
Ambos - Adrienne e Paul - se encontram em um momento frágil, e buscam o apoio um do outro, despertando sentimentos que estavam, até então, guardados a sete chaves.

Eu adoro Adrienne por sua ingenuidade. Ela não desconfia de que é bonita ou que alguém poderia achá-la atraente, só está buscando sua paz de espírito. A relação que ela tem com o pai também é pura, especial e me deixou bastante emocionada.
Paul também é interessante, pois geralmente, quando uma pessoa trabalha por muitos anos, é assim que ela continua pelo resto de sua vida, e ele tentou melhorar, ser uma pessoa melhor e consertar dívidas antigas. Queria que todos os trabalhadores compulsivos passassem por isso.

O que mais gostei no livro foi que ele me fez pensar em coisas que eu já havia pensado antes, mas muito brevemente. Sobre o tempo do amor, a idade em que ele pode atingir alguém, mudar as pessoas, segundas chances... Como disse no início do texto, ele é um livro tão curtinho, mas tão bonito ao mesmo tempo. Tudo acontece muito rápido, mas é muito profundo. Os dois se tornam pessoas melhores, e encontram o que procuraram quando eram jovens, mas só foram capazes de absorver da maneira correta agora. Será que existem pessoas que precisam ficar separadas por anos para esperar pelo momento certo?

Há uma adaptação para o cinema, com o mesmo título, que foi lançado há alguns anos. Não tive a oportunidade de assisti-lo (e nem sei se gostaria), mas pude notar algumas diferenças no trailer, com relação a Adrienne e sua amiga, e fiquei um tanto quando confusa sobre a idade de sua filha, Amanda.

O livro é ótimo para se ler em um final de semana de verão, ou em uma semana chuvosa, ou quando você preferir. A escrita de Nicholas é, como sempre, muito agradável de se ler, e isso faz com que as coisas andem bem rápido. Porém, recomendo a obra para, principalmente, pessoas mais maduras. Que já tiveram relacionamentos. Acho que isso pode levar a excelentes reflexões.

Nota Sobre Nicholas Sparks

Uma Pequena Nota Sobre Resenhar Livros de Sparks

Por mais doloroso que seja dizer isso, não sou uma grande admiradora de Nicholas Sparks. Doloroso porque sua escrita é linda, e nunca consegui abandonar nenhum de seus livros por isso (até costumo lê-los mais rápido), mas é tão decepcionante começar lendo algo sabendo qual será o final... Sabendo que haverá uma praia, um casal, alguém morrerá de câncer ou de uma doença fatal e eu chorarei em algum momento. Quando vejo o nome "Nicholas Sparks" na prateleira de uma livraria, costumo desviá-la o mais rápido que posso. Quantos romances poderiam ter recebido tanto reconhecimento quanto, de uma forma diferente, e estão guardados em computadores? Sinto raiva quando penso nisso.

O que ocorreu foi que, há algumas semanas, ganhei como prêmio de um concurso de oratória, dois livros chamados Noites de Tormenta e Um Homem de Sorte - ambos de Sparks. Isso é muito engraçado, porque logo que fui informada de que os prêmios seriam livros pensei algo semelhante a "Nicholas Sparks não, por favor, Nicholas Sparks não...", mas adivinhem?

Pensando que esta pode ser uma possível chance para me reconciliar com o autor, resolvi resenhar estes dois livros como únicos, sem compará-los aos outros, por mais difícil que pareça. Peço que os fãs me perdoem caso avistem algo do qual não gostarem - sei que os fãs sempre vêem as coisas de uma maneira diferente, mas lembrem-se de que eu não tenho este olhar para com Nicholas. Adoraria dividir experiências sobre ele e suas obras nos comentários, no entanto.

Ps: Os livros que li foram Diário de Uma Paixão, Querido John, A Última Música (meu favorito entre todos estes), Noites de Tormenta e Um Homem de Sorte, apenas cinco, entre dezoito. Mas li a resenha de todos os publicados, e acho que nenhum fugiu muito à base usada com frequência. Me perdoem caso alguma das estórias seja muito diferente.