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segunda-feira, 25 de março de 2013

Absolutamente Nada

Absolutamente Nada

"Em uma folha de papel amarelo com linhas verdes
ele escreveu um poema
E o intitulou "Chops"
porque era o nome de seu cão
E era o que estava em toda parte
E seu professor lhe deu um A
e uma estrela dourada
E sua mãe o abraçou à porta da cozinha
e leu o poema para as tias
Era o ano em que o padre Tracy
levava todas as crianças ao zoológico
E ele deixou que cantassem no ônibus
E sua irmazinha tinha nascido
com unhas minúsculas e nenhum cabelo
E sua mãe e seu pai se beijavam tanto
E a garota da esquina mandou para ele
um cartão de Dia dos Namorados assinado com vários X
e ele teve de perguntar ao pai o que significava X
E seu pai deixou que ele dormisse na sua cama à noite
E era sempre lá que ele dormia
Em uma folha de papel de papel com linhas azuis
ele escreveu um poema
E o intitulou "Outono"
porque era o nome da estação
E era o que estava em toda parte
E seu professor lhe deu um A
e o pediu para escrever com mais clareza
E sua mãe não o abraçou à porta da cozinha
por causa da pintura nova
E as crianças disseram a ele
que o padre Tracy fumava cigarros
E largava as guimbas no banco da igreja
E às vezes elas faziam buracos
Que era o ano de sua irmã usar óculos
com lentes grossas e armação preta
E a garota da esquina riu
quando ele pediu para ver Papai Noel
E os garotos perguntaram por que
a mãe e o pai se beijavam tanto
E seu pai não o cobria mais na cama à noite
E seu pai ficou furioso
quando ele chorou por isso.
Em um pedaço de papel de seu caderno
ele escreveu um poema
E o intitulou "Inocência: Uma Questão"
porque a questão era sobre uma garota
E isso estava em toda parte
E seu professor lhe deu um A
e um olhar muito estranho
E sua mãe não o abraçou à porta da cozinha
porque ele nunca o mostrou a ela
Foi o primeiro ano depois da morte do padre Tracy
E ele esqueceu como terminava
o Creio em Deus Pai
E ele pegou a irmã
se agarrando na varanda dos fundos
E sua mãe e seu pai nunca se beijavam
nem mesmo conversavam
E a garota da esquina
usava maquiagem demais
O que fez ele tocir quando a beijou
mas ele a beijou mesmo assim
porque era a coisa certa a fazer
E às três da manhã ele se aninhou na cama
seu pai roncava alto
É por isso que no verso de uma folha de papel pardo
ele tentou outro poema
E o intitulou "Absolutamente Nada"
Porque era o que estava em toda parte
E ele se deu um A
e um corte em cada maldito pulso
E se encostou na porta do banheiro
porque nessa hora ele não pensou
que poderia alcançar a cozinha."


As Vantagens De Ser Invisível, de Stephen Chbosky

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Eu Sinto o Infinito

Resenha: As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky

"Mas, principalmente, eu estava chorando, porque, de repente, tive consciência do fato de que eu estava de pé em um túnel, com o vento batendo no meu rosto. Não importava que eu visse a cidade. Nem mesmo que eu pensasse nisso. Porque eu estava de pé no túnel. E eu realmente estava ali. E foi o suficiente para que eu me sentisse infinito."

Eu jamais esperei que isso acontecesse, mas As Vantagens de Ser Invisível tornou-se um  de meus livros favoritos. Me arrependo muito por não tê-lo lido antes, para que pudesse assistir seu lançamento no cinema. Na verdade, o que aconteceu foi que eu, tragicamente, assisti o filme antes de ler o livro. Foi em dezembro de 2012, eu o assisti, e li o livro todo no dia seguinte. Não é um livro longo, o que me surpreendeu, porque ele trata de assuntos profundos muito detalhadamente. Pergunto a mim mesma se Stephen já foi (ou continua sendo) um wallflower
Algo que eu gostaria de destacar, é que o título original "The Perks Of a Being a Wallflower" transformou-se em "As Vantagens de Ser Invisível", o que é trágico, pois Wallflower não significa Invisível. Wallflowers são as pessoas que preferem observar ao invés de interagir com os demais indivíduos.

Charlie é um garoto de 15 anos de idade (ele faz 16 no decorrer da estória), que passou por um trauma muito grande após descobrir que seu melhor, e único amigo, suicidou-se, - este foi um dos motivos que o fizeram terminar em uma clínica psiquiátrica por algum tempo.
Charlie cursa o primeiro ano do ensino médio, e como um legítimo wallflower, não recebe um único pingo de atenção. Durante uma de suas aulas, ele conhece um veterano chamado Patrick, que reencontra num dos jogos de futebol da escola, com Sam. Patrick e Sam mostram a Charlie coisas boas, assim como ruins, Charlie envolve-se com drogas, assim como sente, finalmente, que pertence a algum lugar.
A estória se passa no início dos anos 90, e você verá algumas características específicas da época, se for um bom perceptor. Eu não acredito que o enredo poderia se passar nos dias atuais, talvez pelo modo como as escolas mudaram, ou pela maneira como as drogas eram tratadas antigamente. Já li resenhas de pessoas que pensam diferente.
O livro é contado através de cartas de Charlie, para alguém que pode ser seu leitor atual. Ele usa nomes fictícios também, para que todos mantenham-se longe de tentar desvendar sua identidade. 

Charlie, como eu já disse, é um de meus personagens favoritos. Ele é tão adorável, tão bom e tão cego sobre suas qualidades. Charlie é um personagem que eu poderia abraçar. Sam e Patrick também são amigos incríveis, justamente por conseguirem ver, através de tudo, quem o garoto é, realmente. Todas as pessoas gostariam de ter amigos como eles.
O livro foi publicado no fim dos anos 90, e o filme foi lançado no fim de 2012. Eu acho que o filme deve ser assistido após a leitura do livro. Eu gostei dos dois, mas o filme me fez chorar um pouco mais, talvez porque o choque da descoberta sobre o trauma foi como um soco na cara.

Eu não acho que você deve acreditar nas pessoas que tratam a estória como um livro/filme de adolescentes, porque ele não é. Eu penso, ao contrário disso, que a pessoa deve ter uma mente adiantada o suficiente para entender o que se passa de todos os ângulos. Pode ser um pouco mais forte e tocante para pessoas mais novas, porque, como cita Charlie, certas pessoas esquecem de como é ter 16, ao completarem 17 anos de idade. Mas, se você possui uma mente aberta e quer ter momentos tocantes (e nostálgicos, se já for um adulto), este é um livro que eu recomendo com todo o amor do mundo.


Obs: Se você não possuir um bom gosto musical, talvez este livro possa lhe ajudar.